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		<title>Manifesto CONTRA a anistia de Jos&eacute; Dirceu</title>
		<link>http://www.petitionspot.com/petitions/mcajd/</link>
		<description>EXMO. SR.PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL

EXMO. SR. PRESIDENTE DA C&Acirc;MARA DOS DEPUTADOS

EXMOS. SENHORES SENADORES E DEPUTADOS

Esta peti&ccedil;&atilde;o cont&eacute;m um manifesto do povo brasileiro CONTRA a concess&atilde;o de qualquer tipo de anistia, perd&atilde;o ou remiss&atilde;o para a pena de suspens&atilde;o de direitos pol&iacute;ticos aplicada a Jos&eacute; Dirceu de Oliveira e Silva, ex-ministro chefe da Casa Civil durante quase todo o primeiro mandato do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e ex-deputado federal pelo PT de S&atilde;o Paulo.

Jos&eacute; Dirceu teve seus direitos pol&iacute;ticos cassados pela C&acirc;mara dos Deputados em novembro de 2005, por quebra de decoro parlamentar. Com a cassa&ccedil;&atilde;o, Dirceu ficou ineleg&iacute;vel at&eacute; o ano de 2015, quando ter&aacute; 69 anos de idade.

No per&iacute;odo que exerceu as fun&ccedil;&otilde;es de ministro chefe da Casa Civil, Dirceu foi protagonista de uma s&eacute;rie de esc&acirc;ndalos in&eacute;ditos na hist&oacute;ria republicana brasileira. In&eacute;ditos e assustadores, tanto pelas propor&ccedil;&otilde;es, quanto pelos m&eacute;todos. Foram acontecimentos imposs&iacute;veis de tolerar em um pa&iacute;s que at&eacute; hoje sofre as mazelas da pobreza, da ignor&acirc;ncia e da viol&ecirc;ncia. No poder, Jos&eacute; Dirceu foi um leg&iacute;timo representante de todas essas mazelas e de outras tantas mais, agindo, a cada passo, como esp&iacute;rito deca&iacute;do ao limbo mais escuro, &agrave;s entranhas mais apavorantes da desfa&ccedil;atez parida pela aus&ecirc;ncia de quaisquer par&acirc;metros m&iacute;nimos da &eacute;tica, da moral, dos costumes e da lei. Foram seus atos e suas omiss&otilde;es, sempre centrais, que deram a conhecer ao povo as rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas do alto poder com a criminalidade simples. Dois fatos, em especial, denotaram essas rela&ccedil;&otilde;es: o caso Waldomiro Diniz e o caso Celso Daniel.

O esc&acirc;ndalo Waldomiro Diniz, o primeiro de uma s&eacute;rie de fatos que trariam a realidade da pol&iacute;tica brasileira para um mundo que a fic&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conseguiria imaginar, espocou antes do carnaval de 2004, mais precisamente em 13 de fevereiro. Diniz, um dos principais assessores do ent&atilde;o ministro chefe da Casa Civil, foi pego combinando o pagamento de propina com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, do Rio de Janeiro. A prova era uma fita de v&iacute;deo, com boas imagens e bom som. Pouco depois, ainda no ano de 2004, alguns ve&iacute;culos da imprensa noticiaram que Waldomiro negociava mais de um bilh&atilde;o de reais em emendas de parlamentares. Em resposta &agrave; primeira ofensa tornada p&uacute;blica, o ent&atilde;o ministro Jos&eacute; Dirceu antecipou o que viria a se tornar uma praxe, ao dizer que foi tra&iacute;do por seu amigo &iacute;ntimo de tantos anos. Sabia-se que n&atilde;o era verdade, mas poucas pessoas tiveram coragem de afirmar isso publicamente. O ex-petista Paulo de Tarso Venceslau assegurou que Dirceu e Waldomiro eram c&uacute;mplices e disse que o assessor era conhecido como um &ldquo;operador&rdquo; do ex-Ministro. 

O caso Celso Daniel &eacute; um dos mais obscuros da hist&oacute;ria pol&iacute;tica e policial do Pa&iacute;s. O Prefeito de Santo Andr&eacute; foi assassinado em circunst&acirc;ncias que indicam um crime premeditado e de car&aacute;ter pol&iacute;tico. Os trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o foram seriamente questionados por muita gente id&ocirc;nea. N&atilde;o se sabe por qual motivo, mas &eacute; poss&iacute;vel imaginar, esse assunto incomoda especialmente &agrave; c&uacute;pula do PT e, entre os membros dessa c&uacute;pula, especialmente a Jos&eacute; Dirceu. O inc&ocirc;modo, ali&aacute;s, ficou claro com a entrevista que Boris Casoy concedeu ao jornalista Rodrigo Cardoso, da revista Isto &Eacute;, por meio da qual se v&ecirc; como a corrup&ccedil;&atilde;o desavergonhada anda sempre de m&atilde;os dadas com o autoritarismo sem freios:

&ldquo;(...) Esse governo pressionou a Record [para demitir Boris Casoy]. Foram v&aacute;rias press&otilde;es e a final foi do Z&eacute; Dirceu. Eram tr&ecirc;s assuntos que eles n&atilde;o queriam nem que se tocasse. Caso Banestado [remessa ilegal de dinheiro para aplica&ccedil;&otilde;es no exterior], o compadre do Lula, Roberto Teixeira [advogado da Transbrasil, acusado de operar um esquema de arrecada&ccedil;&atilde;o de dinheiro junto a prefeituras do PT] e o assassinato do Celso Daniel. Eu insistia que acabariam em pizza.

(...) Houve o telefonema do Z&eacute; Dirceu [para a Record]. A diretoria me p&ocirc;s a par: &ldquo;Ele disse que vai prejudicar a Record e voc&ecirc; pessoalmente se n&atilde;o parar&rdquo;. Essa foi a &uacute;ltima [amea&ccedil;a]&hellip; vinha uma s&eacute;rie. (...)&rdquo; 

Em 16 de abril de 2004, Jo&atilde;o Francisco Daniel, irm&atilde;o de Celso Daniel, afirmou que Gilberto Carvalho, secret&aacute;rio particular de Lula, confessou-lhe que tinha a incumb&ecirc;ncia de levar propina para o PT e que esse dinheiro era entregue diretamente a Jos&eacute; Dirceu. As raz&otilde;es da perturba&ccedil;&atilde;o do ex-ministro com o caso ficam razoavelmente n&iacute;tidas quando se sabe que a cidade de Santo Andr&eacute; era saqueada em favor de um projeto de poder esp&uacute;rio e doentio. 

Mas foi em 6 de junho de 2005 que o Brasil realmente come&ccedil;ou a ver a grandiosidade da desfa&ccedil;atez e da licenciosidade do ex-todo-poderoso Jos&eacute; Dirceu. Nesse dia, o ex-deputado Roberto Jefferson denunciou o mensal&atilde;o pela primeira vez, fazendo entrar para o vocabul&aacute;rio do pa&iacute;s um termo que denota a lastimosa submiss&atilde;o de um poder a outro. Por cerca de R$30 mil, diversos deputados abriram m&atilde;o de suas prerrogativas institucionais. Estivessem na rua, seriam prostitutas, mas, como n&atilde;o estavam, fizeram pior. Preservaram o corpo, mas venderam a alma para o grande aliciador Jos&eacute; Dirceu e para seus subordinados.

Por esse instante, restava saber a origem do dinheiro, que nunca foi completamente revelada. O que se sabe, entretanto, j&aacute; &eacute; bastante, j&aacute; &eacute; pletora apta a causar asco e &acirc;nsias de v&ocirc;mito em qualquer pessoa que tenha preservado um m&iacute;nimo de decoro. Nomes de indiv&iacute;duos at&eacute; ent&atilde;o desconhecidos come&ccedil;aram a pulular, e eram todos &iacute;ntimos de Jos&eacute; Dirceu: Del&uacute;bio Soares, S&iacute;lvio Pereira, Marcos Val&eacute;rio, Roberto Marques etc. Esses homens eram os respons&aacute;veis pela transfus&atilde;o do dinheiro p&uacute;blico para o corpo podre e doentio dos partidos pol&iacute;ticos da base aliada. O dinheiro transitava por vias tortas, rec&ocirc;nditas, para fazer parecer que n&atilde;o era o bem comum o objeto do aviltamento.

No novelinho infinito de achaques, o povo tomou conhecimento do significado de nomes at&eacute; ent&atilde;o inexistentes, reservados ou com significados anteriores distintos: caixa-dois, Banestado, valerioduto, Portugal Telecom. A lista &eacute; imensa. At&eacute; onde foi poss&iacute;vel, ergueu-se o v&eacute;u das rela&ccedil;&otilde;es licenciosas entre o Estado brasileiro e a parte da iniciativa privada dele dependente ou com ele conivente. O dinheiro, o nosso dinheiro, esva&iacute;a-se em favores onerosos tramados no seio de quadrilhas e grupelhos. No topo de tudo, at&eacute; onde se chegou, estava Jos&eacute; Dirceu e, acima dele, apenas a metaf&iacute;sica.

Por seus atos, por sua exclusiva responsabilidade, Jos&eacute; Dirceu se transformou no arcabou&ccedil;o leg&iacute;timo, vivo e acabado, de todas as tro&ccedil;as e temeridades que desdouram o estado democr&aacute;tico de direito que o Brasil um dia sonhou ser. Ele &eacute; o retrato emoldurado do v&iacute;cio e da usan&ccedil;a arrebatada do bem p&uacute;blico em prol da avareza de uma oligarquia doente que n&atilde;o v&ecirc; balizas a separar o bem do mal, o certo do errado, o limpo do s&oacute;rdido e do emporcalhado.

Agora, Jos&eacute; Dirceu quer o perd&atilde;o. Ele deseja eternizar e amplificar a desgra&ccedil;a que se abateu sobre o Congresso Nacional, trazer para o seio da nova legislatura todos os pecados da anterior, aquela que ficou conhecida como a mais abomin&aacute;vel de todos os tempos.

J&aacute; &eacute; p&uacute;blico e not&oacute;rio, e j&aacute; foi dito pelo pr&oacute;prio ex-ministro, que ele e seu grupo trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de lei de iniciativa popular que ter&aacute; como conte&uacute;do o pedido de anistia para a pena de suspens&atilde;o de seus direitos pol&iacute;ticos. Para que o projeto de lei seja v&aacute;lido, isto &eacute;, para que o Congresso possa coloc&aacute;-lo em pauta, Jos&eacute; Dirceu precisar&aacute; amealhar cerca de um milh&atilde;o e meio de assinaturas. Todavia, a consecu&ccedil;&atilde;o do objetivo inicial, culminando com a remessa de um projeto v&aacute;lido para o Congresso, n&atilde;o obriga o Legislativo a ser favor&aacute;vel &agrave;quilo que por meio dele se pleiteia. O projeto de lei de iniciativa popular, uma vez entregue, dever&aacute; seguir todos os tr&acirc;mites que devem ser observados por qualquer outro projeto de lei. O ponto final desses tr&acirc;mites &eacute; a vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio, o momento em que os senhores congressistas dizem &ldquo;sim&rdquo; ou &ldquo;n&atilde;o&rdquo;, o instante em que aprovam ou reprovam o m&eacute;rito, o conte&uacute;do, daquilo que poder&aacute; vir a ser uma lei em sentido estrito. Nesse momento, o ju&iacute;zo que cada um dos congressistas deve fazer n&atilde;o &eacute; um ju&iacute;zo de validade ou de legalidade, mas um ju&iacute;zo de valor, uma simples separa&ccedil;&atilde;o entre &ldquo;certo&rdquo; e &ldquo;errado&rdquo;. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a pergunta que eles dever&atilde;o responder &eacute; a seguinte: &ldquo;&eacute; correto anistiar Jos&eacute; Dirceu depois de tudo o que ele fez?&rdquo;.

Ora publicamente, ora com reservas, provavelmente sempre por ambas as formas, o ex-ministro da Casa Civil engendra seu plano vil e ardiloso, erguido com a t&aacute;tica da serpente guerrilheira capaz de p&ocirc;r seus interesses mais comezinhos acima de quaisquer objetivos de um Pa&iacute;s j&aacute; completamente devastado pela crise moral. Essa crise desorienta o povo na exata medida em que dele retira as refer&ecirc;ncias positivas m&iacute;nimas necess&aacute;rias &agrave; dignidade do esp&iacute;rito humano e &agrave; boa conduta. Entre o Congresso e o povo existe uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica. O Congresso se move, em maior ou menor grau, pelas press&otilde;es da opini&atilde;o p&uacute;blica. Nessas ocasi&otilde;es de lucidez republicana, o Congresso reflete o povo que lhe d&aacute; suporte e legitimidade. Entretanto, o Congresso tamb&eacute;m &eacute; visto como um retrato, uma imagem projetada desse mesmo povo. O indiv&iacute;duo v&ecirc; ali o car&aacute;ter de seus irm&atilde;os, de seus compatriotas. Nas conjunturas perturbadas, o homem perde a cren&ccedil;a em seus iguais e, se n&atilde;o for moralmente firme, tender&aacute; a deixar de lado o pouco em que acredita, para cair de vez na facilidade da devassid&atilde;o justificada pelo exemplo generalizado do v&iacute;cio. O povo e suas institui&ccedil;&otilde;es se criam e se recriam eterna e mutuamente. Se forem virtuosos, um conduzir&aacute; o outro para a luz. Se forem viciosos, ambos perecer&atilde;o.

A tese de defesa de Jos&eacute; Dirceu &eacute; a tese da miscel&acirc;nea, do enleio e da tergiversa&ccedil;&atilde;o. Por meio dela, ele se transforma em v&iacute;tima de um grande esquema engendrado pela aristocracia e pela grande m&iacute;dia. Diz que contra ele n&atilde;o h&aacute; provas e que &eacute; inocente, absolutamente inocente, de tudo aquilo de que lhe acusam. Por isso, a lembran&ccedil;a dos fatos &eacute; sempre imperiosa para impedir que a l&oacute;gica dos subterfugidos e das evasivas ven&ccedil;a a for&ccedil;a da verossimilhan&ccedil;a aguda e pura; t&atilde;o aguda e t&atilde;o pura que seu m&eacute;rito n&atilde;o pode ser contestado sen&atilde;o por meio dos desonestos m&eacute;todos acima referidos, agregados, aqui e acol&aacute;, &agrave;s filigranas de um formalismo jur&iacute;dico desvalido, porque dissociado das finalidades mesmas da lei. 

A defesa do ex-ministro pode at&eacute; ser de alguma utilidade para fins de seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, visto que a aplica&ccedil;&atilde;o da pena judici&aacute;ria demanda a comprova&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, com liame causal e l&oacute;gico, entre uma prova contundente e um fato ilegal. Entretanto, do ponto de vista pol&iacute;tico, ou seja, sob o prisma do decoro parlamentar, a tese de Jos&eacute; Dirceu &eacute; in&oacute;cua e inveross&iacute;mil. Desde 2004, diversas pessoas afirmaram fatos que levam &agrave; conclus&atilde;o de que ele, Jos&eacute; Dirceu, &eacute; um homem corrupto. N&atilde;o importa o nome que se d&ecirc; ao evento ou o &ldquo;modus operandi&rdquo; espec&iacute;fico de cada ato de vilip&ecirc;ndio &agrave; lei e &agrave; coisa p&uacute;blica. Todos os atos testemunhados s&atilde;o atos de corrup&ccedil;&atilde;o individualmente bastantes para assinalar a quebra do decoro parlamentar, que &eacute;, afinal, a raz&atilde;o que levou a C&acirc;mara dos Deputados a cassar os direitos pol&iacute;ticos do ent&atilde;o deputado. &Eacute; suficiente que uma, apenas uma, entre tantas e tantas testemunhas, tenha dito a verdade. Testemunhas que, ali&aacute;s, cuidaram de assuntos e fatos diversos, parciais, que s&oacute; puderam ser aglutinados depois de cuidadosa an&aacute;lise. N&atilde;o h&aacute; a menor possibilidade de que pessoas t&atilde;o distantes entre si quanto o jornalista Boris Casoy e Marcos Val&eacute;rio, ou Jo&atilde;o Franciso Daniel e Paulo de Tarso Venceslau e Roberto Jefferson, tenham urdido, em conjunto, uma esp&eacute;cie de conspira&ccedil;&atilde;o contra Jos&eacute; Dirceu e contra o PT. Diante do absurdo da tese conspirat&oacute;ria, ficamos na conting&ecirc;ncia de acreditar em uma tese que defende a coincid&ecirc;ncia de milhares de fatores distintos que, s&uacute;bito, unem-se para conspurcar a honra de um homem. Ou bem acreditamos nisso, por mais improv&aacute;vel que se nos pare&ccedil;a, ou somos obrigados a crer na conting&ecirc;ncia de que pelo menos boa parte do que foi dito sobre Jos&eacute; Dirceu &eacute; verdade. Al&eacute;m disso, uma quantidade razo&aacute;vel entre os in&uacute;meros eventos de corrup&ccedil;&atilde;o narrados encontra apoio em documentos encontrados pela Pol&iacute;cia Federal ou pelas comiss&otilde;es do Congresso.

O Congresso Nacional n&atilde;o &eacute; obrigado a aprovar uma lei de anistia em favor do ex-deputado Jos&eacute; Dirceu ou de outras pessoas quaisquer, ainda que o projeto seja oriundo da iniciativa popular. O que h&aacute; &eacute; uma prerrogativa, uma faculdade dentre outras poss&iacute;veis. A an&aacute;lise inicial, portanto, situa-se no campo da conveni&ecirc;ncia &eacute;tica e moral de se ignorar, por eventual e duvidosa falta de provas jur&iacute;dicas absolutas, a estrepitosa verossimilhan&ccedil;a de fatos que lan&ccedil;aram aos porcos a imagem das Casas Legislativas do Brasil. 

Uma institui&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; digna do povo que lastreia sua legitimidade quando &eacute; capaz de fazer crer a esse povo que suas escolhas seguem sempre o norte seguro da lei, mas que, ao mesmo tempo, s&atilde;o tangenciadas pelos estribos da &eacute;tica, da moral e dos bons costumes. Quando a lei concede o poder da escolha, ela traz consigo a imensa responsabilidade de pautar essas escolhas sobre os mais nobres valores, sobre os princ&iacute;pios fundamentais da civiliza&ccedil;&atilde;o que se deseja honrar. V&oacute;s deveis, senhores congressistas, ser o retrato fiel de vosso povo, de seus ideais e de suas aspira&ccedil;&otilde;es; deveis, outrossim, ser o guia de m&atilde;o segura, o exemplo luminoso daquilo que o homem brasileiro considera ser a virtude, pois, na dial&eacute;tica entre o povo e seus representantes, quando as virtudes indicadas daqueles para estes &uacute;ltimos n&atilde;o encontram guarida, elas voltam deformadas para sua origem, criando, primeiro, a ira, depois, desesperan&ccedil;a e, por fim, a ru&iacute;na da pr&oacute;pria virtude que se v&ecirc; fr&aacute;gil e incapaz diante de tantas vicissitudes. Os princ&iacute;pios se deformam, ficam opacos para os olhos do homem comum.

Diante de v&oacute;s, senhores congressistas, apresenta-se uma escolha simples, de sim e de n&atilde;o. A v&oacute;s, senhores, n&atilde;o &eacute; dado errar por ignor&acirc;ncia. Todos os vossos erros s&atilde;o dolosos, intencionais, predispostos a algo ainda e sempre pior que o pr&oacute;prio equ&iacute;voco inicial. N&atilde;o sois, entretanto, v&iacute;timas de um pr&eacute;-julgamento injusto; ao contr&aacute;rio, pois j&aacute; se espera, de antem&atilde;o, que vossas escolhas e vossos atos sejam resultado de reflex&atilde;o aguda e de confiss&atilde;o sincera. Vossos olhos devem ver primeiro a Constitui&ccedil;&atilde;o e nada mais. A verdadeira Constitui&ccedil;&atilde;o, aquela que inicia no Pre&acirc;mbulo e termina no &uacute;ltimo ponto de seu art. 5&ordm;; aquela que cont&eacute;m em si o resultado da pondera&ccedil;&atilde;o de um povo sobre si mesmo e que, como dizia Rui Barbosa, serve de aparato protetor desse povo contra suas paix&otilde;es s&uacute;bitas.

Uma casual aprova&ccedil;&atilde;o de anistia, perd&atilde;o ou remiss&atilde;o em favor do ex-deputado Jos&eacute; Dirceu teria o cond&atilde;o de lan&ccedil;ar por terra a legitimidade da institui&ccedil;&atilde;o que, por excel&ecirc;ncia, &eacute; a aquela que impede os excessos contr&aacute;rios &agrave; democracia. Desde a proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, mesmo nos momentos de maior recrudescimento de regimes autorit&aacute;rios, ningu&eacute;m desprezou e aviltou tanto o Poder Legislativo quanto Jos&eacute; Dirceu. Logo ele que, eleito deputado, tanto deveria honrar e respeitar a institui&ccedil;&atilde;o da qual era membro, ainda que temporariamente afastado. Mas, uma vez em destaque para um importante cargo do Poder Executivo, n&atilde;o cessou de atacar e achacar essa mesma institui&ccedil;&atilde;o, com tantas for&ccedil;as quanto as que lhe foram colocadas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o. No que dependesse s&oacute; dele, o Congresso Nacional teria sido reduzido aos seus aspectos meramente formais; um poder nulo, destitu&iacute;do de si mesmo. Por isso, senhores congressistas, anistiar Jos&eacute; Dirceu significa perdoar o pr&oacute;prio algoz, aquele que desejou t&atilde;o ardentemente guiar a democracia ao cadafalso. Mas, lembrai-vos que, antes de mais nada, o verdugo do Legislativo &eacute; tamb&eacute;m o carrasco do Estado Democr&aacute;tico, ou, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, o homicida do pr&oacute;prio povo.

Por essas raz&otilde;es, os signat&aacute;rios da presente peti&ccedil;&atilde;o requerem a V.Exas., deputados e senadores da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, que quaisquer projetos ou tentativas de anistia em favor do ex-deputado Jos&eacute; Dirceu sejam digna e peremptoriamente recha&ccedil;ados, mas respeitando-se sempre os limites que a lei estipula.</description>
		<lastBuildDate>Sun, 11 Feb 2007 01:0:24 CST</lastBuildDate>
		<language>en-us</language>
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